Abatida

[Maria Júlia Figueiredo, 20 anos, mulher, branca, cis, hétero; estudante de serviço social; administradora do projeto e responsável pelo núcleo de design.]


A solidão me chamou para conversar. Foi difícil compreender e aceitar essa conversa, mas aconteceu. Tive que ouvir. 


Solidão 

O que para um corpo que nasce só,

 compartilhar a vida? 

Essa vida que escorre de mim às vezes adormece e bem quietinha toma uma nova conotação.

O eu, só.

Só com os sentimentos que fervilham

Com as vontades incessantes

E com a calma do corpo, 

A calma que pede e implora atenção 

Para um pouco,

Sente,

O que mudou? 

O que eu disse? — grita o corpo 

Eu, em consciência, tento tocar cada afeto.

Em efeito de me fazer, 

A solidão chama 

—  Vem para mais perto, não tenha medo!

Esse medo eu criei? 

Não sei ao certo, mas talvez dei espaço e deixei crescer 

De frente para o espelho ela olhava, 

Com olhar despido e corpo exposto, fui traduzida

Como pôde, em um piscar ler tudo o que montei de mim? 

Formada de pequenas partes — agora lidas —

 me vi por completo 

(pelo menos achei que sim) 

Fiz as pazes, sorri

Feliz como quem compreende a limitação — ou o que criou dela — mas que entende que não dá para esconder 

Já fui traduzida, do que basta resistir? 

Ela me abateu e botou para pensar,

A negação que fingi,

Insisti 

Não adianta fugir. 

Fui lida. Agora, basta apenas sentir.

Perto do que sinto e acho sentir, a solidão traz o diálogo. Mesmo que não queira, não há escolha. Ela chamou para conversar, você vai ouvir?

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