E o Oscar vai para... Triunfo do Amor pelo poder da Arte nesta guerra

[Tayline, 23 anos, mulher cis, preta, formada em Relações Públicas e estudante de Comunicação Visual; revisora e redatora do Projeto; @_txyline no Instagram]


O Amor é uma Arte ou fazemos Arte com Amor? Vivemos em uma linha tênue entre os dois? É possível separá-los em meio à silenciosa batalha nesta crise sanitária ou só se aconchegam?

No famoso livro A Arte da Guerra, o autor e general Sun Tzu perpetua por milênios que a vitória é para quem domina as estratégias do combate. Estamos hoje em uma guerra, batalhando com o mais primitivo dos seres vivos, que já dizimou milhões de pessoas e fez o mundo parar. Pergunto-me se nesta guerra Sun Tzu poderia nos aclamar com a vitória, que, para nós, trata-se daquela inalcançável sensação que não nos tirará o viver.

Eu namoro. E não existe ninguém no mundo como aquele homem. Ele é o inacreditável que deveria ser comum e isso o torna ainda mais incrível. Eu o admirei por três anos na faculdade até que ele me chamou para o cinema, depois de eu iniciar nosso papo perguntando sobre um filme. Retomando o Sun Tzu, sua escrita proclama a vitória para quem sabe quando lutar e quando não. Nesta guerra, com um inimigo invisível, meu namorado sabe que não deve sair para a batalha. Com uma infecção respiratória espreitando silenciosamente o momento em que oscilarmos no cuidado, um asmático deve ser prudente. E eu também sou. Por ele. Porque a vitória, de acordo com o general, também vem ao utilizar-se de suas pequenas forças e a minha é me cuidar para cuidar de quem eu amo.


O que fazer, Sun Tzu, quando a Arte da Guerra não é ir para o campo de batalha e, sim, ficar em casa, se possível, fazendo de cada cômodo um forte? O general designa a habilidade de se cumprir ensinamentos e adotar a disciplina. Então, meu namorado e eu assim fazemos. Qual a tática? Lutar à nossa maneira enquanto, cada um em sua residência, com 50 km de distância, maratona os melhores filmes aclamados em uma premiação que teve sua primeira edição precedendo um período de guerra.


O Oscar. Sim, os dois apaixonados resolveram embarcar em uma sequência de narrativas no melhor estilo hollywoodiano para se manter juntos enquanto não podem estar juntos. A sétima Arte é a “síntese” das outras Artes, e vem consolidando todo o nosso Amor, desde a escolha de um filme na lista dos 90 premiados, passando pela argumentação que justifique o play e pelo mix de emoções durante os minutos na telinha — para nós, não haverá “telonas” por um bom tempo. Por fim, surgem os comentários e devaneios sobre uma obra que, assim como este Projeto, sairá tilintando em nossos pensamentos e vidas. Sun Tzu, essa Arte é o nosso modo de enfrentamento de uma guerra e nela temos várias batalhas. A da saudade. A da tristeza. A das lágrimas em prece do coração ansiando pelo toque.


Não por ironia, nossas primeiras escolhas trataram de guerras: aquela dentro de nossas mentes com um mundo que luta para condensá-las na esterilidade (Um Estranho no Ninho) e aquela entre as nações com o Amor sendo caminho para a redenção (O Paciente Inglês). Confesso que esse último não finalizamos, mas isso é culpa dos sites clandestinos na Internet, que nos bombardeiam com anúncios a cada cena depois do play (papo para um outro papo?). De qualquer forma, essas duas produções abriram caminho para uma sequência de noites em admiração das manifestações artísticas, que representaram durante 90 anos, todas a seu tempo, outras guerras, alegrias, tristezas, glórias, traições e o Amor.

A todo momento, no antigo normal, produzimos. Esse é o nosso modelo de sociedade. Na própria pandemia, a produção não parou (meu namorado tem um podcast e falou sobre no episódio #14) e se intensificou por estarmos no considerado ócio do millenium. A Arte também segue esse padrão de consumo. E, em meio à parada global, encontramos nos filmes comerciais o nosso modo de apreciar a Arte e de fazê-la a ponte levadiça do nosso pequeno castelo de diálogos virtuais. Tzu nos instruiu à adaptação aos terrenos como principal aliada na batalha, não é? Venceremos esta em conjunto, com a sétima Arte nos acolhendo, nos confortando e brilhando nossos olhos com a crença de podermos admirá-la, seja pelas telinhas ou pelas telonas, de mãos dadas.


Um colega do curso de Comunicação Visual retratou a Arte como um conforto, uma esperança. O que diria Sun Tzu sobre a Arte em meio a guerra? Não sei... O general que viveu há mais de dois mil anos perdera o que diz meu namorado: “em tempos de pandemia, a Arte não só aproxima e entretém, mas acalenta os corações dos distanciados”.

E aí, qual está sendo a seu refúgio em plena pandemia? Tem algum filme ganhador como melhor no Oscar que você curtiu muito? Fala aqui! Vou adorar seguir sua indicação! Mas quero argumentos, hein? Fala pra gente também qual sua saudade: familiares? Amigos? Um amor? De sair? Conta aqui!


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