Antimidade

[Alex Pereira Rodrigues (@alexesoh), homem cis, 28 anos, pardo, homossexual. Atua como escritor de ficção científica no gênero biopunk, professor, revisor, tradutor e estudante de Letras na UEMG. É redator no Projeto Curinga]


O texto de hoje trata um pouco de intimidade. Intimidade que é muito condenada pelo olhar cristão em muitos casos. E, em outros, tão inerente à proximidade com o sagrado. Por que mesmo a felicidade de algo pode trazer culpa em outro momento? O autor lhe convida a despir-se do olhar crítico, e empregar um pouco da linguagem neutra na catarse.


Foi em um estado de nostalgia que Juno resolveu escrever. Ligou o som e deixou a letra tocar seu corpo, naquele ritmo pouco rápido, onde as palavras eram pronunciadas pausadamente.


Juno continuava sozinhe. O quarto delu era sue mundo.


Violino em uma batida pop.


Fumaça do cigarro de Netuno. Capaz de transformar a mente em uma ilusão. Disponibilizada para seus filhos.


Chuva clichê na parte de fora e sensação de “ressaca” por dentro.


Situado na casa 12, Juno não sabia resolver temas que tratavam de felicidade e culpa. Esses temas confrontavam com seus medos de se tornar íntimo de algo que tenha que deixar ir.


Juno costuma sentir ume mundo.


Tode ê mundo físico, mas também o sensível (ou que não se possa tocar). Juno sempre acreditou que há um melhor dentro de cada um.


Mas Juno sabe que, só quem expõe suas feridas é capaz de curá-las.


De alguma forma, elu não quer se tornar íntime de mais nada. Apenas de sues sonhos. Talvez essus ê impeçam de caminhar. E o que tem?


Textos sem continuações cronológicas. Seria o tempo parte de uma ilusão, não? Frases sem nada que as aproximem. Porém, ao contrário da lógica linear. Juno deixou um texto para que se sinta.


A torpe mente humana que segue a lógica não acha mágica em algo que não possa ser delineado.


Mas, Juno descobriu ê poder des palavras. E também de simbologia que elus tratam.


Sue pensamento poético transformou ê mera existência humane nume condição de desafios. Todos ês dias estipulando metas que elu poderia conseguir terminá-las.


Juno estava com medo de sue próprie intimidade. Ê intimidade que ês objetos também criaram com elu. Como que ê forma de pensamento estava atrelade a sua necessidade de experimentação de coisas novas.


Ne sociedade conservadore que Juno vive, não há espaço para se abrir.


Há ume fraqueza em quem revela suas fraquezas. Juno nunca entendeu.


Todes têm fraquezas.


Mas ê inibição de sues fraquezas é ê forma de mostrar, a quem se revela, que ser melhor é questão de conseguir se deixar ser viste.


Que ilusão.


Afinal, ê curso de vida nos leva aês mudanças constantes.


Ê intimidade é algo além de que se pode conter. Ê intimidade é ê prisioneire interior que senta ne canto de jaula enquanto se sacia de migalhas. Algumes dias com fome, elu se debate contra ê prisão. Ume aura sem formas, mas conscientemente presente, tenta se expor aês urros em momentos de nostalgia. Ê fome de intimidade se revolta com ês migalhas oferecides. Ê maior coração é aquele que se alimenta mais. Mas Juno não sabe alimentar. Elu não sabe ês propriedades nutritives pro seu corpo. Não ê corpo físico. Mas ê corpo sensitivo. Ê que se perde nes temátiques como música, sensações e fantasias.


Como ume peixe, Juno passou a ver ê vida como ume observadore des temas que, ne verdade, são essências de sue ser.


Há um tempo, Juno procura se entender consigo mesmo. E nessa busca pele intimidade consigo mesme, encontrou outres semelhantes que gostam de dividir ê intimidade entre ês outres.


Talvez não entenda tão cedo ê sentido de que lhe toca tanto. Mas é inevitável que ê intimidade pouco expostes des outres (porém, que foram muito importantes para Juno), tenham sido armazenades em algume lugar de memória. Sendo ative pouco a pouco.


Juno se sente enevoade pele aura de ilusão de Netuno, mas aê mesmo tempo, ele quer manter. Ê realidade é muito difícil pra ser enfrentade. Ê névoa ê faz enxergar ê mundo de forma a ser vencide dia-a-dia. E, Juno não desiste. Sues erros foram tentatives de acerto. E continuarão sendo. Enquanto sues pés trilharem ê terra e sue cabeça tocar ê céu.

À primeira vista, o texto pode parecer incompreensível a alguns. Assim, é importante que alguns tipos de leitura possam levar novas sensações aos leitores. Afinal, a arte literária nada mais é do que se expor ao universo que se convida, sem culpas, e sim, experimentações. Que pouco a pouco se conheça o desconhecido, e que se tenha intimidade com o que faz feliz a outros.


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