Cartas de Desculpas

[Isabel Mariano Nunes, 20 anos]


Escrevi este poema em uma noite muito dolorosa, na qual temia perder as pessoas que amava por me encontrar há tanto tempo numa bolha de introspectividade.


Me enclausurei por muito tempo

Tempo demais

Tempos em que vivi no âmago da solidão

Ali me aninhei e não quis sair mais

Fiquei por tanto tempo só

Completamente só


Nesse tempo

Tempo demais

Me confortei em não ter que ser alguém

Alguém para conversar

Alguém para ajudar

Alguém para amar

Alguém para odiar


E em todo esse tempo

Tempo demais

Descobri que era ninguém

Descobri que era uma qualquer

Descobri que era em vão


Agora que sai desse tempo

Tempo demais

encontro-me só

A própria solidão se afastou de mim

E aos poucos me direciono de volta para o mundo


Será que que esse mundo

Depois desse tempo todo

Tempo demais

Irá me aceitar?

Te juro, não sou mais a mesma

A solidão me transformou tanto


Não

Minto

Eu me transformei tanto


Ó, tempo!

Tempo demais

Queria que todo esse caos

Essa metamorfose

Esse “eu” se reinventando a cada instante

Ocorresse de um modo em que as pessoas ao meu redor acompanhassem

E me reconhecessem

Desse “eu”

Que sou

E não sou

E viro e reviro sendo


Aqui vai um pedido de desculpas para ti

Sinto não ser aquela que te sorria

E abraçava

E conversava

E chorava

E brigava

Aquela que simplesmente estava

Nem eu entendo tudo que se passa em mim

Descobri que preciso ficar comigo

Para eu não me abandonar

Quando a solidão vier me buscar


Então desculpas

Mas não posso estar agora

Espero que me entenda

E aí, o que achou? Esse poema conversou contigo de alguma forma? Porque escrevê-lo foi uma viagem dentro de minha própria psique. Conte o que sentiu lendo esse texto!

10 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo

quarto