Egoísmo - By curinga

É egoísmo ser uma pessoa que gosta mais de estar sozinha?

O que é egoísmo e o que é individualismo?

Por que tão difícil estar em coletividade?

Por que tão difícil estar sozinhe?

O grupo é escape de mim ou me perco nele?

Onde ouço minha voz?


O que seria ser egoísta sendo que dentro de toda coletividade existe um indivíduo e que este, precisa cuidar de si próprio pra poder participar de maneira saudável de um conjunto social. Os desafios do autocuidado são enormes perante a esse dilema, pois muitas vezes o bem social é sobreposto ao individual.




Saudações, curingas!


Em agosto estamos discutindo coletividade, como vocês sabem, e um dos tópicos que apareceu nas conversas entre voluntáries foi o egoísmo.


Você, ao pensar em coletividade, já se sentiu egoísta?


Minhes voluntáries trouxeram falas como “pra mim, me inserir num coletivo é um ato egoísta, me dedico aos outros e a uma comunidade pra que eu não precise pensar tanto em mim, que é o que faço instintivamente e, a longo prazo, se torna cansativo.” ou “não sei me relacionar tão bem em coletivo, é mais fácil ser só eu.”.


Ao pensar nessas falas, sinto necessidade de questionar o que é egoísmo para cada pessoa. Será egoísmo gostar de estar sozinhe? Qual a linha entre individualismo e egoísmo?


A filosofia da moral norteia esses dois conceitos e pode iluminar a questão: o individualismo nasce de um pensamento político-econômico de liberdade individual que prevê o desenvolvimento humano individualizado acima do autoritarismo ou mesmo das concessões da pessoa para o desenvolvimento da comunidade.


Essa moral das concessões é que define o egoísmo. Se voltarmos à Kant, o indivíduo deve ceder ao grupo pois o bem estar geral é mais importante que o individual. A pessoa que não pratica essas concessões e se coloca acima do coletivo é a chamada “egoísta”.


O ponto que fica, então é: Qual a nossa moral de coletividade? O que é colocar o individual em detrimento do coletivo? Como identificar esse egoísmo?


E, de novo, será egoísmo gostar de estar sozinhe?


Vivemos num mundo que fetichiza a mercadoria, a violência e o Eu, um mundo que preserva como nenhum outro na história a liberdade des “mais fortes” de aprisionamento daquelus mais fragilizades.


Somos livres para violar e violentar quem não tem os exclusivos e podres poderes do privilégio. Somos apegades no que pode ser comprado e vendido - mesmo quando o produto ou a moeda são a vida. Somos, social e coletivamente, egoístas.


Se a moral coletiva é do egoísmo e já preza pelo individual - e, diga-se de passagem, pelo individual de um indivíduo específico considerado “mais poderoso” - é complexo nos culpar por egoísmo.


Numa esfera pessoal, é claro que têm aquelus que se adequam e se beneficiam mais ou menos da moral egoísta. Mas, normalmente, essa parcela não reflete sobre isso. Se você não é a manifestação da estrutura de comercialização e violência da coletividade, como nós não somos, não é justo discutir egoísmo.


Gostar de estar sozinhe, ter dificuldade em se relacionar com a coletividade ou usar a solidão de escape não são traços de egoísmo.


Egoísmo é negar saúde, comida, abrigo, educação, ciência, saneamento, direitos, auxílio, preservação natural, histórica, cultural e religiosa. Egoísmo é desmerecer as ameaças gravíssimas à vida humana, animal e vegetal, negar a ciência e a verdade.

Egoísmo é tratar vidas como mercadoria, trabalho como obrigação e resistência como fraqueza.


Isso porque as vidas são coletivas, o trabalho é coletivo e a resistência está na coletividade.


Muites se sentem desconfortáveis em grupos justamente porque não se encontram nesses espaços e a fuga para si se torna uma alternativa de proteção à violência ou à invisibilidade. Grupos são muito mais fortes que pessoas e, se forem violentos, causam maior estrago.


Outro fator é que às vezes, os grupos tornam-se apenas distrações para as dores individuais, e da mesma forma que dores coletivas só se curam em coletividade, as pessoais precisam de um cuidado individual.


Por isso e por muito mais, não há egoísmo em prezar por si mesme. Seja por proteção, cuidado ou por prazer, todo coletivo é feito de indivíduos e pessoas saudáveis e dispostas fazem coletividades melhores.


Mas, mesmo que seja necessário para você estar sozinhe ou se afastar às vezes das coletividades que constrói, é importante construí-las.


Isso porque as dores coletivas só se curam em coletividade.


A metáfora das máscaras no avião é precisa para o que quero dizer: precisamos poder respirar para ajudar outres a fazê-lo, e para isso, cuidamos dos nossos pulmões sozinhes (mesmo que com ajuda) e do ar que respiramos juntes.


Com amor, Curinga.

Como esse tema repercutiu em você? Comente aqui sua opinião sobre o egoísmo dentro do coletivo e quais relações você liga à ele.

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