Identidade: Quem é o Curinga?



Dia desses uma conversa despretensiosa me pegou, quando dei por mim estava absorta em reflexões internalizadas sobre o assunto. Acontece com você também?


Gosto de transcrever esses reboliços, quando posso, e esse em específico me trouxe diversas constatações sobre o Curinga. Nada mais justo, então, do que transcrevê-lo aqui.

O tópico era o design em lato senso, ou seja, nos seus mais amplos sentidos. Conversávamos, a princípio, sobre como é comum a nós humanos rotularmos desimportantes temas que pessoalmente não compreendemos e, daí, o tópico do design.

Para mim foi por muito tempo dificílimo entender a importância e o significado que as tendências de design têm, sejam essas gráficos, de ambiente ou decoração, na moda, nos produtos ou onde mais estiverem.


Pensar em “tendência” pode nos remeter quase de imediato a imposições e padronizações sistemáticas e violentas. E a problemática é muito verdadeira: muitas vezes as tendências são usadas como reforço industrializado de padrões estéticos e de comportamento violentos, desumanos e que servem propósitos capitalizados, transcrevendo o capital na sua face masculinizada, branca, heteronormativa, magra e etc.

No entanto, as tendências podem ter mais de uma origem e, definitivamente, têm uma outra face admirável: transcrevem a existência (e, tantas vezes, a resistência), os costumes, crenças, a arte e as manifestações de um coletivo. Transpassam individualizações e se tornam símbolos de uma unidade coletiva.


A arte, quando transcrita em fórmula estética espontânea e deliberadamente, torna-se símbolo de não só uma, mas de diversas vidas unidas e compartilhadas.

A moda nos fala de personalidade, a ambientação transcreve nossos ideais de conforto, foco, lazer, família e comunidade, a estética artística de um período salva os desejos e medos comuns de um povo em uma época. Da mesma forma, qualquer outra manifestação de produção estética (ou artística, ou de criação, ou de design) fala simbolicamente sobre o que vivemos, pensamos, amamos ou tememos.

Mais do que isso, a criação e a produção artística dão vida visível ao que habita nosso inconsciente e nos permite, no processo, aprender sobre o mundo e o vivenciar de forma ativa, alimentando a criatividade, cultivando inspirações e treinando a autonomia.


O que me pegou profundo nessa “filosofação”, durante e depois da conversa, foi como isso tudo se alinha ao que acredito impulsionar o trabalho aqui no Projeto. Inconscientemente, a minha relação com a arte já me movimentava a querer um formato de trabalho que não deixasse só passivos os temas e seus debates a alguém que lesse-os.

Hoje sei traçar a intenção ao redor de um formato aberto, que demanda atividade e criação. O objetivo é criar inspiração sem protagonizarmos os temas, é fazer o debate acontecer de forma ativa e efetiva, abrindo espaço e deixando representarem por si mesmas as vozes que nos compõem.


Buscamos temas que possam ter diferentes prismas, serem olhados por muitos ângulos e que gerem, muito além das reflexões, ações, criações e produções.

Também por isso que não precisamos de especialistas, mas de quem esteja disposte a estar presente e ative aqui. Temos lugar, de braços abertos, para todes que quiserem.


Você quer?


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