Pontuando

[lebiSca, 20 anos. Escritora, poeta, cronista, mulher e sapatã; também conhecida como Débora Maranhês. Redatora fixa. IG: @d_maranhess]


Às vezes, não preciso escrever demais, mas pontuar. Vim dizer sobre aquilo que se diz, sente e entende: misturei tudo e nada, e, mesmo assim, um certo número de alguéns me entenderá; outros, criarão seus entendimentos. E, de qualquer maneira, fica tudo bem nessas línguas emboladas na bagunça da linguagem.

Talvez eu encontre, num parágrafo da semana passada, uma linguagem que diz do que não se diz. E eu digo para você, na verdade e em boa medida, aquilo que você escuta em mim. Não importa tanto minha palavra quanto aquelas que se formam ao ouví-la. Uma palavra sozinha e sem a conexão processada dela não forma comunicação, e a comunicação pode mesmo desencaixar-se nos nossos universos paralelos.


Eu sou um pedaço ora inteiro e ora picado de palavras minhas. José Inácio não foi ensinado a escrever mas fala melhor do que eu. Odeio quem detesta aqueles que eles erronizam (como em “demonizam”) por conta da falta do que um dia cunharam certo.


Eu sou vírgula apenas sendo ponto e vírgula mas jamais serei por completo ponto final


Se fico em completo silêncio, sou inúmeras formas que na arte encontro — e mesmo que o conceito da arte não exista firmado em palavra, ou não tenha sido cunhado e gravado, a expressão do pássaro que canta na minha janela é a que o ser humano vai transformar em arte.


Uma vez, passei uma madrugada tentando trazer palavras para a sensação de um plasma no peito somado a brisa noturna de outono e ansiedade calma e amor saudoso e empolgação melancólica e devaneio alcóolico estando na verdade sóbria e tudo veio assim sem pontuações e somado e acrescentado e misturado e embolado como a expressão que eu não consegui encontrar.


Depois, eu desisti de dizer e aprendi que não se pode pontuar tão perfeitamente bem a vida. Ou que, quem sabe, não haja palavras para o meu peito apertado, tenro, verdadeiro, às duas da manhã de uma noite de outono do ano passado.


Agora, estou aqui falando como poderia falar de mil formas diferentes. Você que lê poderia entender, no mínimo, de dez mil formas similares, cinco mil quase iguais e cinco mil extrapolações. A capacidade de se ouvir e falar (veja: dialogar, trialogar, quadrialogar entre diferentes comunicações pensadas, ou ditas, ou desenhadas, ou escritas, ou sentidas, ou táteis, ou vibrantes de um ambiente inteiro e — ah! Você ainda está entendendo minhas palavras?) estará em algum lugar em todas. Até mesmo naquilo que não trouxe...


E, então, quando eu voltar a ter cinco anos, com uma professora em minha frente e uma questão cortada em mãos, vou dizer: “mas eu pensei”. Aqui, por exemplo, estou me atendo a pouco. Outros já cunharam trezentas teorias e ciências. Algumas até conheço. É curioso. É incrível.


Por hoje, contudo, creio que o pouco dessa linguagem basta... Já é bonito o suficiente o toque. Toque que nos permite (a mim e a você) identificar alguns Algos das mentes diferentes e iguais — e, de alguma forma, às vezes tudo junto. Vá entender...


Pensa rápido: chave.

Ei... Essa não é minha chave. Mas… abriu minha porta.

Ass.: lebiSca.


Já parou para pensar sobre as nuances das palavras e conversas? Como você interpreta? Como você ouve? Como você fala? Onde você é linguagem — que só é quando funciona e liga comunicações?

12 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo