Quanto cabe no meu abraço?

[Ana Junqueira, 'Sol', 23 anos. @restlesssol_ em todas as redes e @occulo_colore para fotografias. Formada em cinema e voluntária no Projeto Curinga]

|Texto revisado por Gabriela Roberta |



No fim de uma semana ruim, ter para quem ligar. Ter sempre um fim de pó de café, suficiente para passar para aquele amigo que apareceu sem aviso e precisa desabafar. Uma roupa no fundo do guarda-roupa que esqueci que estava lá, mas que serve perfeitamente numa amiga que vai para casa tarde. Um abraço, de uma pessoa que não gosta muito de abraços. Pequenos gestos, pequenos atos. Uma solidão, que se torna pequena quando confrontada com eles. Uma colcha de retalhos que acolhe o frio mais ameaçador.

Quanto cabe no meu abraço?

Imensa colcha de retalhos

Um ou dois agasalhos

Pra emprestar


Amigos que não escolho

Recolho

Memórias e carinhos

por cada caminho


Casa em cada cantinho

Linha para cada desalinho

Coso o que quero dizer


Não é surpresa lembrar de ti

Vem, fica pro café

Me conta o que não vi

Nada comigo até não dar mais pé


Diz tchau dizendo “até”

Te faço outro cafuné

Logo é dia outra vez

Quem diria, já refez

Pedaço meu.


Remendado

Roubado

Desalinhado

Mas bem.


Entra que aqui tem sempre espaço

Cabe muito mais num só abraço


E ai, o que achou? Como é para você ser acolhide? Vamos continuar essa reflexão nos comentários

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