Resenha crítica do longa metragem “O menino que descobriu o vento”

[Alex Pereira Rodrigues (@alexesoh), homem cis, 28 anos, pardo, homossexual. Atua como escritor de ficção científica no gênero biopunk, professor, revisor, tradutor e estudante de Letras na UEMG. É redator no Projeto Curinga]


Nesse mês a revista aborda o tema "Linguagem". Com isso, convido vocês a assistirem o filme "O menino que descobriu o vento" e analisarem a infância, cultura e as necessidades que permeiam o conflito do personagem africano em sua comunidade. Também, em quais momentos a linguagem alcança a efetividade ou quando ela é negada. Abaixo, uma resenha crítica com os principais pontos dessa história é realizada para seu interesse. Vem ver!



A produção cinematográfica da Netflix “O menino que descobriu o vento” narra a história de William - um garoto do Malawi que via a seca e as inundações modificarem o modo de vida dos habitantes. O filme foi feito pelo próprio William Kamkwamba, com o intuito de reproduzir sua história de vida, e foi escrito e dirigido por Chiwetel Ejiofor. Ejiofor atuou também, no mesmo ano de 2019, em outras produções como “O rei leão” e “Malévola, amante do mal”.


O filme traz à tona a questão da fome vivida em muitos países africanos, em especial o Malawi, por questões imperialistas dos outros países sobre eles. O personagem principal, William, quer ir à escola e também ajudar em casa, porém muitas são as dificuldades que ele enfrenta.


O início é marcado pela morte de um dos coletores de milho que pertencia ao vilarejo onde William vivia. No decorrer dele, há uma explicação político-econômica pelo que eles passavam quanto à má distribuição de renda e alimentação - períodos de seca e de inundações do solo. O final é marcado pelo sucesso de William ao construir um gerador eólico de energia capaz de acionar um mecanismo de bomba para a captura e distribuição da água , o que prepararia o solo para cultivo e prevenção das crises de alimentos.


A produção marca 113 minutos e seu foco narrativo está na importância do estudo. Sem condições necessárias para estudar, William cresceu ouvindo de sua mãe que sua irmã era inteligente, digna de ir à faculdade. Ele, por sua vez, trabalhava com conserto de eletrônicos, principalmente rádios, para os moradores locais e se sentiu muito feliz ao saber de sua possibilidade de ir à escola. Poucos dias nela e seus estudos seriam interrompidos por dívidas das mensalidades. Ele passa a estudar escondido na biblioteca e sonha com a capacidade elétrica utilizada nos Estados Unidos, fazendo alguns experimentos com eletrônicos do “ferro-velho” (ou entulho) de um terreno baldio para produzir luz e ele conseguir se manter estudando à noite. Percebendo que um dínamo era capaz de produzir luz pelo processo de conversão de energia, ele se inspira nesse modelo para recriar um protótipo de gerador eólico. Posteriormente, recria um em grande escala para funções do vilarejo.


O filme é inspirador. As condições familiares não possibilitaram o estudo de William, mas sua vontade, juntamente aos incentivos de mãe e pai, tornaram-no o herói do vilarejo, salvando-os da fome e da irregularidade de colheita.



Espero que vocês tenham gostado dessa resenha de uma produção sensacional que traz muito do que ainda desconhecemos. Também convido a ver as outras produções a respeito da linguagem.


Referência: O MENINO que descobriu o vento. Direção de Chiwetel Ejiofor. Produção de Andrea Calderwood, Gail Egan. Realização de William Kamkwamba. Roteiro: Chiwetel Eua: Netflix, 2019. (113 min.), longa-metragem, son., color. Legendado. DramaEjiofor.



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